Medicina : Daltonismo , pesquisa com macacos

Pesquisa com macacos pode levar à cura do daltonismo
25 de setembro de 2009 • 08h40 • atualizado às 08h54

A foto da esquerda mostra como o maçado Dalton via o mundo antes do tratamento, a foto da direita apresenta os resultados após o tratamento
25 de setembro de 2009
Foto: Nature
Pesquisadores usaram terapia genética para recuperar a visão de cores de dois macacos adultos que eram incapazes de distinguir entre tons de vermelho e verde desde o nascimento – dando esperança de cura para o daltonismo e outros distúrbios visuais em humanos.
“Esse estudo é realmente incrível”, disse Andras Komaromy, um pesquisador da visão e oftalmologista veterinário da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, que não esteve envolvido na pesquisa. “Se pudermos agir na expressão genética específica dos cones (em humanos), então isso tem uma implicação imensa.”
Cerca de um em cada 12 homens não possui proteínas fotorreceptoras sensitivas às cores vermelha ou verde que estão normalmente presentes nas células perceptoras de cor da retina, ou cones, sendo assim incapazes de enxergar vermelho e verde.
Uma condição similar afeta todos os macacos-de-cheiro (Saimiri sciureus) machos, que naturalmente enxergam o mundo em dois tons. O daltonismo nos macacos acontece porque a visão integral de cores exige duas versões do gene da opsina, carregado pelo cromossomo X. Uma versão codifica o fotorreceptor que detecta vermelho e a outra o fotorreceptor que detecta verde.
Como os macacos machos têm apenas um cromossomo X, eles carregam apenas uma versão do gene e inevitavelmente são daltônicos para vermelho e verde. Uma deficiência similar é responsável pela forma mais comum de daltonismo dicromático em humanos. Menos macacos fêmeas sofrem da condição, pois as mesmas possuem dois cromossomos X, e frequentemente carregam ambas as versões do gene da opsina.
“Eis aqui um animal que é o modelo perfeito da condição humana”, disse Jay Neitz da Universidade de Washington, em Seattle, membro da equipe que conduziu o experimento.
Teste de computador para daltonismo
Neitz e seus colegas introduziram a forma humana do gene da opsina que detecta vermelho em um vetor viral e injetaram o vírus atrás da retina de dois macacos-de-cheiro machos – um chamado Dalton, em homenagem ao químico britânico, John Dalton, que foi o primeiro a descrever seu próprio daltonismo em 1794, e outro chamado Sam.
Os pesquisadores então avaliaram a capacidade dos macacos de encontrar porções de pontos coloridos em um fundo de pontos cinzas, treinando os animais a tocar com suas cabeças as porções coloridas em uma tela e então os recompensando com suco de uva. O teste é uma versão modificada do tradicional “Teste de Cores de Cambridge”, em que as pessoas devem identificar números ou outros padrões específicos em um campo de pontos coloridos.
Código de cor
Após 20 semanas, a habilidade dos macacos de distinguir cores melhorou drasticamente, indicando que Dalton e Sam haviam adquirido a capacidade de ver três tons. Ambos os macacos mantiveram essa capacidade por mais de dois anos sem nenhum efeito colateral aparente, relatam os pesquisadores na Nature.
Acrescentar o gene que faltava foi o suficiente para restaurar a visão de cores integral sem necessidade de qualquer conexão cerebral extra, embora os macacos tivessem sido daltônicos desde o nascimento. “Como existe essa plasticidade no cérebro, é possível tratar mais defeitos do cone com terapia genética”, disse Alexander Smith, biólogo molecular e pesquisador da visão da Universidade College London, que não contribuiu com o estudo.
“Não parece que novas conexões neurais tenham sido formadas”, disse Komaromy. “É possível adicionar um pigmento de opsina ao cone e o circuito neural e os caminhos visuais conseguem lidar com isso.”
Três testes de terapia genética em humanos estão atualmente em andamento para tratar a perda de visão decorrente de degeneração séria da retina. Esses estudos de segurança de fase 1 injetaram um tipo similar de vetor viral (mas carregando um gene diferente) atrás da retina, como nos macacos, e as pessoas tratadas não mostraram efeitos colaterais sérios após mais de um ano, com alguns participantes tendo relatado melhorias evidentes na visão.
Esses primeiros testes em humanos – que reparam os bastonetes, um tipo diferente de célula fotorreceptora – podem ser vistos como um padrão de segurança para qualquer tratamento futuro de doenças do cone e daltonismo em humanos, disse Neitz.
“A grande questão é que pessoas daltônicas têm uma ótima visão”, Neitz diz. “Por isso, antes de as pessoas desejarem tratar seu daltonismo, é necessário assegurar que seja completamente seguro, e isso dará algum trabalho.”
Tradução: Amy Traduções

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