HISTÓRIA DA CIÊNCIA – DA GENÉTICA À BIOLOGIA MOLECULAR

Histórico
No último século temos assistido uma corrida científica, particularmente na área de Biologia Molecular. Hoje, vemos a todo o momento, principalmente na mídia, notas envolvendo temas tais como terapia gênica e transgênicos entre outros. Muitos vêem a Engenharia Genética como um novo campo, mas de fato as técnicas utilizadas hoje são resultado da união de vários conhecimentos produzidos pelas mais diferentes áreas do saber e muita pesquisa a qual vem sendo realizada ao longo de mais de 125 anos. A linha do tempo aqui apresentada mostra descobertas chaves que culminaram no Projeto Genoma Humano, um esforço internacional, o qual visava a decifrar a seqüência de três bilhões de pares de bases de subunidades de DNA que se encontram nos cromossomos humanos.
1865 – Herança Mendeliana
Gregor Mendel publicou os resultados dos seus trabalhos realizados com ervilhas do tipo Pisum sativum. Após várias gerações de cruzamentos Mendel foi capaz de postular suas regras gerais de herança genética. Ele propôs que havia “discretas unidades” de hereditariedade (que hoje chamamos de genes) que eram transmitidas de geração para geração, mesmo que algumas características não fossem expressas em todas as gerações, elas voltavam a aparecer.

O trabalho de Mendel passou a ter grande reconhecimento no meio científico apenas a partir do início do século XX. Atualmente, sabe-se que as teorias de Mendel são apenas parcialmente válidas. No entanto, é unicamente dele o mérito de ter provocado o primeiro grande salto na história da ciência quanto à formulação das teorias sobre os mecanismos que regem a transmissão de características hereditárias.

1869 – Isolado o DNA Miescher isolou o DNA pela primeira vez. A descoberta do DNA ocorreu em 1869 e foi feita pelo bioquímico alemão Johann Friedrich Miescher. Ele queria determinar os componentes químicos do núcleo celular e utilizava glóbulos brancos provenientes do pus em sua pesquisa. A escolha desta célula deveu-se à disponibilidade e tamanho do núcleo. Analisando os núcleos, Miescher descobriu a presença de um composto de natureza ácida que era desconhecido até o momento. Era rico em fósforo e em nitrogênio, desprovido de enxofre e resistente à ação da pepsina (enzima proteolítica). Esse composto, que aparentemente era constituído de moléculas grandes, foi denominado, por Miescher, nucleína.

1880 a 1890 – Das Bases Nitrogenadas ao Ácido Nucléico

Em 1880, um outro pesquisador alemão, Albrecht Kossel, demonstrou que a nucleína continha bases nitrogenadas em sua estrutura, explicando o fato da nucleína ser rica em nitrogênio. Nove anos depois, Richard Altmann, que era aluno de Miescher, obteve a nucleína com alto grau de pureza, comprovando sua natureza ácida e dando-lhe, então, o nome de ácido nucléico.
1882 – Cromossomos – Quem são?

O alemão Walter Flemming descobriu corpos com formato de bastão dentro do núcleo das células, que denominou “cromossomos”. Saiba mais…
1890 – A sutil diferença que faz toda a diferença: Uracila ou Timina?

Em 1890, foi descoberto em levedura (fermento biológico) um outro tipo de ácido nucléico, que possuía uracila ao invés de timina e ribose ao invés da desoxirribose. Dessa maneira, foram caracterizados dois tipos de ácidos nucléicos, de acordo com o glicídio que possuíam:
ácido ribonucléico (RNA)
ácido desoxirribonucléico (DNA)
1902 – ”Partículas da hereditariedade”

O norte-americano Walter Sutton e o alemão Theodor Boveri deram início à teoria cromossômica da hereditariedade (as “partículas” da hereditariedade estariam localizadas nos cromossomos). Saiba mais…
1909 – Genótipo e Fenótipo: Afinal quem é quem?

O dinamarquês Wilhelm Johannsen introduziu o termo “gene” para descrever a unidade mendeliana da hereditariedade. Ele também utilizou os termos “genótipo” e “fenótipo” para diferenciar as características genéticas de um indivíduo de sua aparência externa. Saiba mais…
1912 – Dos Ácidos Nucléicos aos Nucleotídeos

Em 1912, Phoebus Levine e Walter Jacobs concluíram que o componente básico dos ácidos nucléicos era uma estrutura composta por uma unidade que se constituía numa base nitrogenada ligada a uma pentose, e esta por sua vez, ligada a um fosfato. Esta unidade foi denominada de nucleotídeo.

Um ácido nucléico seria então uma molécula composta por vários nucleotídeos unidos entre si, ou seja, um polinucleotídeo. Saiba mais…
1915 – Genes dispostos linearmente nos cromossomos

O norte-americano Thomas Hunt Morgan e seus alunos Alfred Sturtevant, Hermann Joseph Muller e Calvin Bridges publicam o livro “O Mecanismo da Hereditariedade Mendeliana”, no qual relatam experimentos com drosófilas, as moscas-das-frutas, e mostram que os genes estão linearmente dispostos nos cromossomos. Saiba mais…
1927 – Danos genéticos podem ser hereditários?

Hermann J. Muller provou que os raios-X podiam causar mutações que passavam de uma geração para outra. Submetendo drosófilas a raios-X, observou que a freqüência das mutações aumentava cerda de cem vezes em relação à população não exposta. Saiba mais…
1928 – Transformação – Que “bicho” é esse? E afinal, transformar o quê? Em quê? Para quê?

Durante muito tempo, as proteínas foram consideradas como as mais prováveis detentoras da hereditariedade, mas um experimento realizado em 1928 daria início à derrocada desta hipótese. Este experimento envolvia a inoculação de bactérias causadoras de pneumonia em camundongos e seu propósito era, simplesmente, descobrir meios de se controlar a doença em humanos.

Foi Frederick Griffith que realizou uma série de experimentos que forneceram evidências que a informação genética está contida em uma molécula específica e não nas proteínas.

Griffith estava tentando encontrar uma vacina contra Streptococcus pneumoniae, uma bactéria que causa pneumonia em mamíferos. Ele sabia que: existiam duas cepas distinguíveis de pneumococcus: uma que produzia colônias lisas (S – do inglês smooth) e outra que produzia colônias rugosas (R – do inglês rough). Células da cepa lisa são encapsuladas com uma capa de polissacarídeos, enquanto que as células da cepa rugosa não possuem esta cápsula. Estes dois fenótipos alternativos (S e R) são geneticamente herdados.

Ele realizou quatro conjuntos de experimentos:
Experimento 1: Griffith injetou células vivas da cepa S de Streptococcus pneumoniae em camundongos.
Resultado: Os camundongos morreram de pneumonia.
Conclusão: A cepa encapsulada é patogênica.
Experimento 2: camundongos foram injetados com células vivas da cepa R de S. pneumoniae.
Resultado: Os camundongos permaneceram saudáveis.
Conclusão: as cepas de bactéria que não possuíam a cápsula de polissacarídeos não eram patogênicas.
Experimento 3: camundongos foram injetados com células da cepa S de pneumococos mortas por calor.
Resultado: os camundongos permaneceram saudáveis.
Conclusão: a cápsula de polissacarídeo não causa pneumonia por que ela ainda está presente nas bactérias mortas pelo calor – que neste estado são não patogênicas.
Experimento 4: células da cepa S mortas pelo calor foram misturadas com células vivas da cepa R e injetadas em camundongos.
Resultado: os camundongos desenvolveram pneumonia e morreram. Amostras de sangue dos camundongos mortos continham células de pneumococos do tipo S vivas.
Conclusão: células de pneumococos do tipo R adquiririam das células do tipo S a habilidade de sintetizar a cápsula de polissacarídeo.

Griffith cultivou células do tipo S isoladas dos camundongos mortos. Porque as bactérias produziram células filhas encapsuladas, ele concluiu que o novo trato adquirido era hereditário. Esse fenômeno é agora chamado de transformação (assimilação de um material genético externo por uma célula). Saiba mais…
1931 – DNA e RNA: Ácidos Nucléicos recebem seu “RG” definitivo!

O russo Phoebus Aaron Levene, trabalhando nos EUA, estuda a estrutura química dos ácidos nucléicos e identifica seus componentes básicos. Os termos “ácido desoxirribonucléico” e “ácido ribonucléico” (RNA) se tornam de uso comum. Saiba mais…
1941 – “One gene – One enzyme” – Será mesmo?

Os trabalhos decisivos sobre a função do gene foram apresentados por Beadle e Tatum que propuseram a teoria “um gene – uma enzima”.

As idéias principais do trabalho realizado por esses autores foram:
Todos os processos bioquímicos dos organismos estão sob controle genético.
Os processos bioquímicos ocorrem numa seqüência de reações individuais.
Cada reação simples é controlada por um gene simples.
Cada gene atua por intermédio do controle e produção de uma enzima específica.

Na atualidade esta teoria apresenta as seguintes falhas:
Um gene pode especificar a síntese de uma cadeia polipeptídica que não apresenta nenhuma função enzimática (Ex.: Hemoglobina).
Uma enzima pode ser constituída por mais de uma cadeia polipeptídica (Ex.: RNA polimerase é constituída por várias cadeias e, conseqüentemente, está sob o controle de vários genes.
Um gene pode controlar a atividade de uma enzima especificada por outro gene (Ex.: sítio operadores, repressores, etc.). Saiba mais…
1943 – Mutações = Eventos Randômicos: Estaria então nascendo aqui a nossa “Biologia Molecular”?

A Biologia Molecular nasceu em novembro de 1943 com a publicação de um artigo num número da revista Genetics (publicado em 1944), assinado por Salvadore Luria e Max Delbrück com o título: ‘Mutations of bacteria from virus sensitivity to virus resistance’ (Genetics.1943. vol:28, page:491).

Este artigo demonstra que a resistência (hereditária) de uma bactéria particular (Escherichia coli tipo B) a um vírus específico (alpha, hoje em dia chamado T1) é uma propriedade adquirida pela bactéria antes de entrar em contato com o vírus. Dito de outra forma: o fenótipo hereditário não resulta da “adaptação” da bactéria pós-contato com o vírus, mas sim de uma mutação genética prévia.

Essa demonstração revelou-se fundamental na história da Biologia. É a prova formal que a teoria da evolução das espécies proposta por Darwin é correta na essência, enquanto que Lamarck, e a hereditariedade dos caracteres adquiridos, ficaram definitivamente enterradas.

1944 – DNA: Enfim … A famosa molécula da hereditariedade!

Qualquer estudante com um mínimo de informação em biologia sabe que as características genéticas da grande maioria dos seres vivos são transmitidas de geração a geração pelo ácido desoxirribonucléico (DNA). No entanto, a primeira demonstração do papel central desempenhado por essa molécula na hereditariedade ocorreu há apenas seis décadas, e não foi aceita de imediato.
Depois da experiência realizada em 1928 pelo microbiólogo inglês Frederick Griffith mostrando que bactérias capazes de causar uma doença podiam, mesmo depois de mortas, ‘passar’ essa capacidade para bactérias vivas que a tinham perdido, começou a corrida para entender como isto poderia ocorrer.

Esse enigma só seria decifrado em 1944, quando um trabalho de três médicos norte-americanos – Oswald T. Avery, Colin M. MacLeod e Maclyn McCarty – demonstrou que a molécula que continha as informações transmitidas de geração a geração era o ácido desoxirribonucléico (DNA).

Assim, Oswald T. Avery, Colin M. MacLeod e Maclyn McCarty identificaram que o DNA é a molécula da hereditariedade.
1946 – Conjugação bacteriana: “Sexo das bactérias” – Mas até as bactérias?

Lederberg and Tatum demonstraram a troca de material genético entre bactérias. O processo foi chamado de conjugação bacteriana e consiste em transferência de genes de uma bactéria doadora para uma receptora.

Na conjugação bacteriana duas bactérias unem-se temporariamente por meio de uma ponte citoplasmática. Em uma das células, denominada “doadora”, ocorre a duplicação de parte do cromossomo. Essa parte duplicada separa-se e, por intermédio da ponte citoplasmática, passa para outra célula, denominada “receptora”, unindo-se ao cromossomo dessa célula receptora. Esta ficará, então, com constituição genética diferente daquela das duas células iniciais. Essa bactéria “recombinante” pode apresentar divisão binária, dando origem a outras células iguais a ela.

1950 – Transposons: O DNA “pula” de um lugar a outro – É a Natureza se adaptando e ainda trazendo benefícios ante as adversidades…

Transposons são seqüências de DNA móveis que podem se autoreplicar em um determinado genoma.

Um transposon pode ser inserido em outros genomas, vindo a conferir ao hospedeiro uma vantagem seletiva, como, por exemplo, a resistência a antibióticos.

Barbara McKlintock descreveu estes elementos genéticos que trocavam de posição no genoma do milho e que podiam também causar mutações. Aos 80 anos, ela foi laureada com o prêmio Nobel de 1983 pela descoberta dos elementos genéticos móveis.
1952 – Hereditariedade – Hershey & Chase

Após os experimentos de Frederick Griffith, em 1928, era necessária uma demonstração convincente de que o DNA – e não as proteínas – era, realmente, o material responsável pela hereditariedade.

Esta confirmação veio por meio do uso de um vírus bacteriófago (T2). Supunha-se que a infecção do fago (vírus) na bactéria se daria na introdução de informações que permitiriam sua posterior reprodução. O fago tem uma estrutura extremamente simples, resumindo-se ao envelope viral protéico preenchido com o seu DNA. Utilizou-se um tipo de marcação radioativa para a cabeça protéica do fago, e outra para o DNA. O próximo procedimento foi infectar células de Escherichia coli com culturas de fagos diferentes. Depois do tempo necessário para a infecção, as células bacterianas eram recuperadas e centrifugadas a fim de que pudessem ser liberadas dos “fantasmas” (estrutura protéica da cabeça do fago vazia). A radioatividade era então medida. Nas culturas de fagos marcados com material para identificar o DNA, a radioatividade aparecia ou dentro da célula ou na prole de fagos, fornecendo evidências de que o DNA penetrava nas células. Por outro lado, a radiação oriunda do material que marcou a capa protéica estava sempre presente nos fantasmas dos fagos, mostrando que a proteína do fago não penetrava na célula de E. coli. Com este experimento, demonstrava-se que a informação hereditária era transmitida pelo DNA, e não pela proteína. Saiba mais…
1952 – Transdução: O vírus é a estrela da vez…

Ainda em 1952, Lederberg and Zinder descreveram a transdução, transferência de informações genéticas por vírus.

Transdução é um dos mecanismos de transferência gênica, no qual DNA bacteriano é transferido de uma linhagem para outra por meio de um vírus bacteriófago. O DNA é incorporado pelo fago (vírus) em uma bactéria doadora na qual ele está se replicando e após a infecção de uma nova linhagem este DNA é liberado dentro desta nova bactéria receptora.

1953 – O modelo da dupla hélice para o DNA… Um marco histórico!

Crick and Wilkins, junto com Watson, propuseram o modelo da dupla hélice do DNA. Watson e Crick identificaram a estrutura em dupla hélice do DNA após analisar uma imagem da molécula por difração de raios X realizada por Rosalind Franklin. Crick, Wilkins, e Watson receberam o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962.

1954 – O Cromossomo é “circular”!?

Jacob e Wollman realizaram experiências que esclareceram o mecanismo de conjugação bacteriana e apresentaram evidências da natureza circular do cromossomo de Escherichia coli analisando os resultados destas experiências. Saiba mais…
1958 – Replicação do DNA

Com relação ao mecanismo da replicação do DNA, os trabalhos de Meselson e Sthal confirmam a hipótese de Watson e Crick que cada dupla hélice filha teria um filamento parental e outro recém-sintetizado, ou seja, a replicação do DNA é feita de modo semiconservativo. Saiba mais…

Final da década de 1950 – DNA polimerase: Uma ferramenta imprescindível até hoje!

No final da década de 1950, Arthur Kornberg identificou e purificou a enzima DNA polimerase. Verificou-se que a replicação do DNA era auxiliada por inúmeros tipos de enzimas e fatores, mais tarde revelados, tais como: DNA topoisomerases, helicases, proteínas de proteção contra degradação do DNA quando na forma monofilamentar (SSB), ligases, primases etc. (KORNBERG, 1980). Saiba mais…
1961 – RNA e a síntese de proteínas.

O sul-africano Sydney Brenner, o francês François Jacob e Matthew Meselson descobrem que um tipo de RNA (o RNA mensageiro, ou mRNA) leva a informação genética “inscrita” na dupla hélice para a maquinaria celular que produz proteínas. Francis Crick e Jacques Monod tiveram também participação nessa descoberta.

O norte-americano Marshall Nirenberg anuncia a comprovação experimental de que uma seqüência de bases específicas, uma seqüência de aminoácidos revela o conteúdo da primeira “palavra” do chamado código genético (três bases uracila correspondem ao aminoácido fenilalanina). Saiba mais…
1962 – A Recombinação entre os Genes… Até onde eles vão?

Uma idéia mais compatível com a estrutura do DNA, recém-proposta por Watson e Crick, veio com Benzer, por meio do estudo de mutantes do fago T4. Segundo ele, os genes seriam compostos de pequenas unidades, os “recons”, em que a recombinação poderia ocorrer entre eles, mas não dentro deles. A idéia anterior era de que o gene seria a menor unidade de recombinação. Benzer criou ainda os termos “muton” (menor unidade de mutação) e “cístron” (menor unidade de função). Saiba mais…
1966 – O Código Genético: As “Palavras” estão aí … O desafio agora é: Como decifrá-las?

Grupos de pesquisa liderados por Marshall Nirenberg e pelo indiano Har Gobind Khorana decifram, com outros pesquisadores dos EUA, da Inglaterra e da França, a série completa de “palavras” do código genético. Saiba mais…
1968 – Enzimas de restrição: Sem elas seria impossível tentar compreender uma molécula tão complexa e imensa como o DNA de uma só vez…

Daniel Nathans e Hamilton Smith, dos EUA, e Werner Arber, da Suíça, descrevem as nucleases de restrição, enzimas que reconhecem e cortam seqüências curtas específicas de DNA em pontos determinados. Saiba mais…
1970 – Transcriptase Reversa: O vírus é novamente a estrela da vez!

Temin and Baltimore identificaram a transcriptase reversa em RNA de vírus. A transcriptase reversa é uma enzima que utiliza a fita única de RNA como modelo para a produção de uma fita de DNA, que seria complementar àquele RNA. Esta descoberta demonstrou a possibilidade de novas informações sobre DNA e RNA. Temin, Baltimore, e Dulbecco receberam o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1975.
1972 – Splicing: Um verdadeiro “Manual de Instruções” que facilita a nossa vida

É sabido que o DNA contém as informações necessárias para o funcionamento dos organismos. Esse “manual de instruções”, porém, precisa ser interpretado pelas células, por meio de um mecanismo que envolve diversas – e complexas – etapas. Um papel fundamental nesse mecanismo cabe a um processo denominado splicing, sem o qual as instruções não poderiam ser lidas. O splicing não só organiza tais instruções, eliminando partes que não interessam, mas ainda permite selecioná-las, de modo que o mesmo gene forneça diferentes instruções para as células.

Até a pouco tempo atrás, pensava-se que os genes celulares eram compostos por arranjos contínuos de nucleotídeos. Somente em 1977 descobriu-se a existência de genes interrompidos. Assim, quando se olhava o DNA, percebia-se que o gene possuía mais nucleotídeos do que aqueles encontrados no mRNA (necessários para a produção de proteínas).

Hoje, sabe-se que os transcritos primários de RNA contêm a cópia de toda seqüência presente no DNA e que algumas partes dessa seqüência são recortadas dessa molécula de forma a produzir o RNA funcional.

As seqüências que são retiradas do transcrito primário foram chamadas de íntrons e aquelas que permaneceram como parte do RNA funcional, exons.

O splicing consiste na retirada dos íntrons de um RNA precursor, de forma a produzir um mRNA maduro funcional.

Este processo foi descrito pela primeira vez por Mertz e Davis em 1972.
1972 – DNA Recombinante: Aqui começa o verdadeiro fascínio dos cientistas!

O norte-americano Paul Berg obteve as primeiras moléculas de DNA recombinante, unindo DNA de diferentes espécies e inserindo esse DNA híbrido em uma célula hospedeira. Junto com Gilbert e Sanger, Berg recebeu o Nobel de Química em 1980. Saiba mais…
1975 – Southern Blotting: O DNA começa a ser visto pelo “avesso”.

Southern descreveu um novo instrumento analítico envolvendo a transferência de fragmentos de DNA por capilaridade por gel de agarose para membrana resultando em réplica exata do fragmento de DNA isolado. Detecta polimorfismo de DNA ou mutação.
1976 – Insulina Humana: A Biologia Molecular começa a incomodar e ao mesmo tempo trazer benefícios à sociedade…

Criada a primeira companhia de engenharia genética, a Genentech. Produz a primeira proteína humana em uma bactéria geneticamente modificada e, em 1982, comercializa a primeira droga recombinante, insulina humana. Saiba mais…
1977 – Íntrons: Quem são eles e o que eles fazem?

Os britânicos Chow and Roberts e o norte-americano Phil Sharp descrevem, independentemente, que genes de organismos eucarióticos (e não procarióticos) são interrompidos por regiões chamadas íntrons, que não especificam aminoácidos para a formação de proteínas. Roberts e Sharp ganharam o Nobel em Medicina e Fisiologia de 1993.
1977 – Seqüenciamento de DNA: “As Palavras” começam a ser colocadas em ordem!

Gilbert and Sanger desenvolveram métodos independentes para determinar um nucleotídeo na seqüência de DNA. Sanger e seus companheiros utilizaram o método desenvolvido por eles para determinar a seqüência completa de nucleotídeos de um vírus bacteriófago. Este foi o primeiro genoma a ser seqüenciado. Junto com Berg, Gilbert and Sanger receberam o Prêmio Nobel em Química de 1980.
1980 – Início da comercialização: Política x Ciência x Sociedade

David Botstein, Ronald Davis, Mark Skolnick e Ray White, dos EUA desenvolveram uma técnica baseada no uso de enzimas de restrição para fragmentar o DNA. A técnica foi importante para o Projeto Genoma Humano.

A Suprema Corte dos EUA decide que formas de vida alteradas podem ser patenteadas.

Kits de Biologia molecular começaram a ser produzidos por indústrias de biotecnologia.
1985 – DNA fingerprint: O RG do DNA agora com impressão digital!

O britânico Alec Jeffreys publica artigo em que descreve técnica de identificação que ficou conhecida como “impressão digital” por DNA (“DNA fingerprint”), que permitiu a elucidação mais precisa de vários crimes.
1985 – PCR: De um simples (muito simples) fragmento a bilhões de cópias!

Publicado artigo do norte-americano Kary Mullis que descreve o método PCR (reação em cadeia de polimerase, em inglês), que possibilita a obtenção rápida de bilhões de cópias de um segmento específico de DNA. Mullis ganhou o Nobel em Química em 1993.
1985 – Terapia Gênica: A primeira “luz no fim do túnel” para as mais diferentes e cruéis enfermidades que arrasam seus portadores e suas famílias…

Os NIH dos EUA aprovaram diretrizes gerais para a realização de experimentos com terapia genética em seres humanos.
1988 – Patente: Uma novidade para os cientistas?

Nos EUA, Philip Leder e Timothy Stewart obtiveram primeira patente para um animal geneticamente modificado, um camundongo altamente suscetível ao câncer de mama.
1989 – Instituto Nacional para Pesquisa do Genoma Humano

Criação nos EUA do Instituto Nacional para Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI), chefiado por James Watson, para determinar toda a seqüência do DNA que compõe os cromossomos humanos.
1990 – Projeto Genoma Humano: Um salto impensável para Watson e Crick!

Início formal do Projeto, um esforço para “find all the genes on every chromosome in the body and to determine their biochemical nature” – descrever todos os genes encontrados no cromosomos do corpo humano e determinar sua natureza bioquímica.
1990 – Utilizando a Terapia Gênica: Vislumbra-se um primeiro fio de esperança!

Pela primeira vez é utilizada, com sucesso, a terapia genética, em uma menina de quatro anos com um tipo de deficiência no sistema imunológico chamado ADA.
1995 – Haemophilus influenza seqüenciada

Craig Venter, Smith, Fraser e companheiros publicam, pela primeira vez o genoma completo de um organismo não viral, a bactéria Haemophilus influenza.
1996 – Dolly: Para muitos cientistas… Um segundo marco histórico!

Nascimento da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir de uma célula de um animal adulto pelo Instituto Roslin (Escócia) e pela empresa PPL Therapeutics. Só em fevereiro do ano seguinte o feito foi divulgado. Dolly morreria de envelhecimento precoce em fevereiro de 2003.
1996 – Mapeamento genético completo do camundongo.
Saiba mais…
1998 – Caenorhabditis elegans: O primeiro multicelular e seu genoma!

O britânico John Sulston e o norte-americano Robert Waterstone seqüênciaram o genoma do verme C. elegans, primeiro organismo multicelular a ter o seu DNA transcrito.
Saiba mais… | Artigo completo (clique em Full text)
1999 – Primeiro cromossomo humano seqüenciado

Pesquisadores do Projeto Genoma Humano publicaram o seqüenciamento completo do DNA encontrado no cromossomo 22.
2000 – Genoma Humano! – Mas ainda é apenas um rascunho ….
Pesquisadores do consórcio público Projeto Genoma Humano e da empresa privada norte-americana Celera anunciam o rascunho do genoma humano, que seria publicado em fevereiro de 2001.

2000 – Genoma da Xilella fastidiosa: O “amarelinho” dos cítricos e os cientistas brasileiros pela primeira vez na capa da Revista Nature!

No Brasil, pesquisadores paulistas anunciam o seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, a causadora da doença do amarelinho em cítricos. O artigo foi destacado na capa da revista “Nature”. . | Artigo completo

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