Como suergiu o vírus da gripe suína

Esqueça as balas perdidas, sequestros relâmpagos, acidentes de carro, desastres aéreos, ameaças terroristas, o perigo da proliferação nuclear – ou qualquer outro dos grandes temores do mundo moderno. O maior inimigo da espécie humana, desde tempos imemoriais, são seres mil vezes menores que a espessura de um fio de cabelo: os vírus. Em especial, o vírus influenza, da gripe, em seus variados tipos.
Só para ter uma ideia da proporção da ameaça, a Primeira Guerra Mundial, com algumas das mais sangrentas batalhas da história, matou 16 milhões de pessoas, entre soldados e civis, em quatro anos. No fim da guerra, em 1918, um desses vírus apareceu ninguém sabe de onde e matou, em apenas dois invernos, algo entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas (os estudiosos jamais chegaram a um consenso sobre o número correto). Na semana passada, esse pavoroso inimigo tomou nova forma e ressurgiu.
Sua voracidade – suspeita-se que ele tenha contaminado 2.600 pessoas e matado mais de 170, em apenas duas semanas – despertou temores de uma nova pandemia. Que, infelizmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou, em maio, emitindo um alerta de nível 5 (o máximo é 6). Isso não significa que a catástrofe de 1918 vai se repetir. Mas significa que estamos em guerra de novo.
O primeiro sinal de ataque do vírus ocorreu no México. Maria Jovita Gutiérrez Cruz, de 39 anos, era uma fiscal do censo que diariamente fazia entrevistas porta em porta com cerca de 300 pessoas em Oaxaca, a 400 quilômetros da Cidade do México. Em 8 de abril, Gutiérrez foi internada com insuficiência respiratória aguda e diarreia severa. Nenhum tratamento convencional surtiu efeito. Cinco dias depois, ela morreu.
Quase ao mesmo tempo, os médicos notaram dezenas de casos similares, a maioria na Cidade do México. No dia 16 de abril, autoridades mexicanas alertaram a OMS e enviaram amostras de secreções dos pacientes ao Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta, responsável pela vigilância epidemiológica nos Estados Unidos. Lá se identificou o agressor: trata-se de um vírus tipo A, subtipo H1N1, da mesma família da Gripe Espanhola, como ficou conhecida a pandemia de 1918. As gripes comuns, menos agressivas, são dos tipos B e C. O tipo A costuma vir dos animais (leia o quadro). Este de agora veio dos porcos.

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