Descoberto fungo que faz biodegradação de garrafas PET

A aluna da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Kethlen Rose Inácio da Silva desenvolveu um processo para a degradação de garrafas à base de polietileno tereftalato (PET) por meio de fungos.

Fungos da degradação

O trabalho de pesquisa sobre a biodegradabilidade de polímeros sintéticos por ação de microorganismos conhecidos como “basidiomicetos de podridão branca”, cultivados em resíduos agroindustriais com diferentes fermentações está condensado na tese de Mestrada da estudante.

Esses fungos têm sido objeto de diversos estudos, por conta de sua capacidade de degradação de materiais.

“Foram utilizadas duas linhagens de fungos Pleurotus sp, que são encontrados naturalmente nas matas brasileiras crescendo sobre madeiras, da qual retiram nutrientes”, disse Kethlen à Agência FAPESP. “Os fungos Pleurotus sp estão também amplamente distribuídos pelo sul e pela área central da Europa e também pelo norte da África.”

Biodegradação de polímeros

A bióloga utilizou uma técnica conhecida como planejamento experimental com o objetivo de chegar a uma condição adequada para a biodegradação dos polímeros. O estudo foi orientado pela professora Lúcia Regina Durrant, do Departamento de Ciências de Alimentos da FEA.

“O planejamento experimental, utilizado pela primeira vez em laboratório para esse fim, possibilitou a realização de um estudo preliminar em que foi possível avaliar a interferência de diversas variáveis no processo de biodegradação dos polímeros, como os níveis de fermentação, tempo de reação e temperatura ideal, levando assim às melhores condições para a biodegradação do PET”, explicou Kethlen.

“A maioria dos pesquisadores que estuda o assunto utiliza a técnica de tentativa e erro. A utilização do planejamento experimental e a análise de fatores que poderiam interferir no processo foram o grande diferencial desse estudo”, conta Kethlen, que iniciará doutoramento no Laboratório de Sistemática e Fisiologia Microbiana da Unicamp.

Biodegradação das garrafas PET

Para chegar à condição ótima para a degradação dos polímeros, ela teve que descobrir ainda detalhes sobre as atividades enzimáticas ligninolíticas dos fungos e quantificar a sua perda de massa, além de analisar as taxas de biodegradação do PET.

Segundo a bióloga, um resultado relevante do trabalho é que, dentre todas as condições estudadas, a fermentação semi-sólida foi a mais adequada para a biodegradação desses polímeros usados desde a década de 1970, especialmente em embalagens.

“Os microorganismos cresceram em condições muito semelhantes ao seu habitat natural, tornando-os capazes de produzir enzimas e metabólitos que não seriam produzidos em outros tipos de fermentação”, explicou.

Fungos comedores de plástico

Foram realizados mais de 600 ensaios para verificar a interferência dos fungos na biodegradação dos polímeros. “A fermentação semi-sólida apresentou bons resultados durante a maioria dos ensaios estudados, com expressiva produção de enzimas lignocelulolíticas e de biosurfactantes, além de alterações na estrutura e na viscosidade dos polímeros”, apontou.

“Além disso, as duas linhagens lignocelulolíticas utilizadas no estudo demonstraram ter capacidade de se desenvolver em meios contendo fontes de carbono sintético e de difícil degradação”, disse Kethlen. As duas linhagens fúngicas de Pleurotus sp foram cultivadas juntamente com polímeros de garrafa PET sob fermentação semi-sólida e incubados em estufa a 30 ºC durante até 90 dias.

O problema das garrafas PET

Os resultados do trabalho de pesquisa representam nova contribuição para problemas envolvendo o PET, uma vez que sua reciclagem demanda grande consumo de água e energia, além de promover a geração de resíduos sólidos, emissões atmosféricas e efluentes líquidos.

“Estudamos uma nova metodologia em laboratório e conseguimos definir uma condição adequada para a biodegradação das garrafas PET, que, quando depositadas no ambiente, entopem os sistemas de coleta de esgoto gerando inundações locais, além de apresentar riscos pela queima indevida que resulta em emanações tóxicas na atmosfera”, disse Kethlen.

“É importante destacar que outros estudos são necessários para atestar a eficiência desse processo que acaba de ser desenvolvido”, destacou. A bióloga ressalta que na cidade de São Paulo os plásticos são o segundo elemento mais encontrado no lixo, correspondendo a cerca de 23% do peso total dos resíduos encaminhados para os aterros sanitários, parcela importante considerando-se que o plástico é um elemento leve e de grande volume.

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Eclologia: O fungo que comeu o mundo

Science

1 de outubro de 2009

Os cientistas alegam ter identificado um fungo antigo que floresceu há cerca de 250 milhões de anos, que se alimenta de árvores mortas (saprófita) e que se espalhou por todo o planeta. Esses restos (fungos) poderiam fornecer uma pista fundamental para a identidade do que matou grande parte dos animais e vegetais, ao mesmo tempo, embora alguns pesquisadores continuem céticos. A História da Terra é marcada por várias extinções em massa. Provavelmente a mais conhecida delas é a do chamado limite Cretáceo-Terciário, há cerca de 65 milhões de anos, a catástrofe que dizimou os dinossauros e muitas outras espécies terrestres e marinhas. Em todo o mundo, as amostras dos sedimentos que foram depositados mostraram os traços de Irídio, um elemento químico, que é raro na Terra mas comum em asteróides, apontando para um enorme impacto.

A extinção em massa mais misteriosa aconteceu há cerca de 250 milhões de anos, marcando o fim do período Permiano e início do Triássico. Quase toda a vida marinha desapareceu, como fizeram cerca de três quartos dos animais terrestres – quase todos os que residiam em um continente único, gigante conhecido como Pangeia. Mas a causa das extinções permaneceu indeterminada. Não há nenhuma evidência de um impacto, só sinais de fluxos de lava espalhadas e dicas de possível elevação do nível do mar ou mudanças na circulação oceânica.

Em 1996, os pesquisadores testaram restos de um gênero de microorganismos chamados Reduviasporonites, que são comuns no limite do Permiano-Triássico (P-Tr). Agora, os membros de uma equipe internacional dizem que confirmou não só que a Reduviasporonites ubiquitous eram fungos, mas também que as árvores de sua dieta primária estavam mortas – algo que poderia fornecer um indício decisivo sobre o tipo de catástrofe, que terminou o período Permiano. A equipe analisou isótopos de carbono e nitrogênio de amostras de Reduviasporonites. Essas análises para identificar substâncias químicas únicas Reduviasporonites, cujo reinado durou os períodos Permiano e Triássico, e outros compostos relacionados com a matéria orgânica de árvores mortas. Astrobiólogo e o autor Mark Sephton do Imperial College de Londres afirma que as análises mostram que o organismo alimentados com madeira morta. Sephton explica que para Reduviasporonites ser tão comum na transição P/Tr, eles devem ter prosperado em um desastre que trouxe “uma mudança dramática no meio ambiente.” A causa mais provável, diz ele, é uma liberação maciça de dióxido de enxofre e outros gases nocivos das erupções vulcânicas. Esses gases teriam causado chuva altamente ácida, o suficiente para envenenar a maior parte do planeta, matando árvores e criar uma festa global para Reduviasporonites.

. “Quando as coisas se tornaram realmente ruins, esses fungos estavam mais em casa do que nunca”., diz Sephton.

Compilado por Rejane Cardoso do artigo de Phill Berardelli.

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